Um breve guia para educadores sobre os povos indígenas.


 PARTE 1: UM GUIA PARA EDUCADORES

Guia sobre povos indígenas para educadores sobre povos indígenas e colonização: 

Oque fazer e oque não fazer?  

No dia 19 de abril, é importante primeiramente que não fantasiem as crianças com  

adereços indígenas ou reproduzam estereótipos (tal como bater na boca ou fazer dança  da chuva). Além do uso das pinturas corporais, cocar e outros adereços indígenas serem sagrados, se fantasiar de uma raça além de ser uma prática racista, que nesse caso se  chama “redface”, é ofensivo e reforça estereótipos que levam a consequências concretas  na vida dos povos indígenas. 

Já em relação as aulas de história, também é importante não chamar a colonização  

de descobrimento. Deve-se chamar pelo nome correto: invasão. Essa terra já era  habitada e foi saqueada e invadida. Não reproduzir mitos que tratem indígenas como  ingênuos, inocentes ou no seu oposto, bárbaros e selvagens, tal como de que trocavam  ouro por espelho e que comiam gente.  

Também não se deve tratar os povos indígenas no passado, como se não existissem  

no presente ou tivessem ficado presos em 1500. 

Exemplos de atividades para não passar e seus problemas: 

Além dos usos dos termos incorretos como índio e tribo, ensina a alegoria de um  indígena genérico e homogêneo, como se todos os povos vivessem do mesmo jeito, 

tivessem a mesma cultura, falassem a mesma língua. E não é assim. Guaraci e Jaci são  sim o sol e a lua, mas para alguns povos específicos do tronco tupi, mas não para todos  os povos. Existem indígenas de muitos povos diferentes e cada um tem sua própria  cultura, cosmovisão e língua. Outro erro é falar de indígenas no passado, oque reforça a  ideia de não existirem mais ou de serem atrasados. Já na atividade de perguntas e  respostas são reforçados outros estereótipos como de que indígena só anda nu, que não  tem o direito de ter coisas (como roupas, chinelo, carro) que vive na “tribo”, ou que  moram em ocas, dando a entender que indígenas não podem viver em outros lugares  como o campo e a cidade. São perguntas que induzem ao erro. Ou dando a entender  que não pode comer pizza ou qualquer outro alimento não tradicional, como se uma  pessoa não tivesse a liberdade e o direito de escolher oque come. O indígena pode  comer tudo o que ele quiser, viver em qualquer lugar, ter o que quiser, ter o cabelo liso,  cacheado ou crespo, ter a pele clara ou escura, e isso não os torna menos indígena. 

Oque fazer? 

Ensinar respeitosamente sobre a diversidade dos povos nativos, a história real de  colonização e a resistência dos povos nativos. Também é importante falar sobre a luta  por território que perdura até a atualidade e com constantes ameaças por fazendeiros,  madeireiros, pelo agronegócio e empresários, especulação imobiliária e muitas vezes do  próprio Estado. É importante salientar que essa luta não acabou. 

Uma ótima ideia é ler junto aos alunos livros de autoria indígena, como os livros  infantis do Daniel Munduruku, da Auritha Tabajara, Olívio Jekupé, ou qualquer um da  Coleção Memórias Ancestrais, por exemplo, organizado por Julie Dorrico e Geni  Núñez.  

Quais são outras datas importantes para se trabalhar? 

Dia 20 de janeiro é o Dia Nacional da Consciência Indígena, dia 7 de fevereiro Dia  Nacional da Luta dos Povos Indígenas, Dia 9 de agosto é o Dia Internacional dos Povos  Indígenas, dia 5 de setembro é o Dia Internacional das Mulheres Indígenas e dia 12 de  outubro Dia da Resistência Indígena.

PARTE 2: PLANO DE AULA

Plano de aula para apresentar aos alunos sobre povos indígenas: 

Os termos corretos e incorretos (índio, tribo): 

O uso do termo “tribo” é errado por reforçar a ideia de que os povos indígenas são  pequenos grupos selvagens e/ou, nas palavras do escritor Daniel Munduruku,  “incapazes de viver sem a intervenção do Estado”. Partem de uma lógica de que um  povo não é civilizado. Novamente parafraseando Daniel Munduruku “Observem que  essa é a lógica colonial, a lógica do poder, a lógica da dominação. É, portanto, um  tratamento jocoso para tão gloriosos povos que deveriam ser tratados com status de  nações uma vez que têm autonomia suficiente para viver de forma independente do  estado brasileiro.” Outros termos corretos para serem usados nessa situação além de  nação, são povo e etnia.  

Já o termo índio, além de ser carregado de estereótipos, não contempla a diversidade  das centenas de povos indígenas que vivem só nessa terra chamada de Brasil. Indígena  por vem do latim “endo” que é de dentro, e “gena” que é gerar, ou seja, se refere ao que  é nativo e/ou originário do lugar em que vive, gerado dentro da terra. Outros termos  corretos além de indígenas podem ser nativos ou originários.  

Oque são povos indígenas?  

Os povos indígenas são os povos que são nativos de determinado local. Existem  povos indígenas em todo o mundo, mas quando se trata do contexto brasileiro, quando  falamos de indígena estamos nos referindo a povos nativos dessa terra chamada pelo  colonizador de América, mas que preferimos chamar de Abya Yala.  

Quantos são? 

Só no Brasil são mais de 305 povos indígenas com diferentes culturas, línguas,  cosmovisões. Existem diferentes troncos linguísticos como o tronco Tupi, Macro Jê, e  outras, que vão criando ramificações que formam mais de 275 línguas. Os povos  indígenas não são homogêneos e possuem diferentes características e generalizar esses  povos é cair em um estereótipo colonial. Alguns exemplos de etnias indígenas sdo  tronco tupi são os Guarani, Tupinambá, Tupinikim, Tabajara, Potiguara. Do tronco  Macro jê existem os Puri, Kaingang, Xokleng, Maxacali. Krenak, Xavante, Bororo, 

Karajá. E existem outros troncos e outros povos fora desses troncos, como os Tikuna,  Ianomami, Charrua e muitos outros.  

Onde vivem? 

Os povos indígenas vivem em todos os lugares. Alguns moram em aldeias no meio  da floresta, outros moram em aldeias no meio da cidade, outros moram em área rural ou  vivem em grandes centros urbanos. Mais de metade da população indígena vive fora das  aldeias por diversas questões, mas a principal dela é a invasão de seus territórios.  

O problema da fantasia de índio: 

Quando alguém se fantasia de índio, ela se fantasia de uma caricatura. Caricatura  essa que carrega a ideia de que povos indígenas estão no passado, são atrasados e  selvagens, não usam roupa ou usam pouca roupa (inclusive essa fantasia reforça a  hipersexualização do corpo indígena) e não sabem falar português. Isso reforça  estereótipos e estimula violências coloniais. 

A consequência disso é que quando um indígena não se parece com uma fantasia  inventada ele tem sua identidade negada, tem seus direitos e seu acesso a terra negado por não ser considerado indígena o suficiente ou indígena de verdade. Quando está  andando na rua apenas sendo ele mesmo, com seus grafismos e adereços sagrados, não é  visto como indivíduo, é visto como uma caricatura e chega a ser questionado se está  fantasiado de “índio”. 

Além de tudo isso, o cocar, as vestimentas, as pinturas corporais, tem significados  específicos pra cada povo e são sagrados. Esvaziar seus significados à estética é  desrespeitoso. Identidade não é fantasia e se fantasiar com a cultura de um povo não é  homenagem. 

Sugestão de atividade para educação infantil na próxima página: